Mini-curso sobre intervenção em TDAH

Ser criança não é fácil…

6 years ago 3 2648

crianças

Cada período da vida possui seus desafios e a infância não é diferente. Isso porque a criança faz parte deste nosso mundo e, assim como os adultos, interage com ele. A diferença é que o aparato biológico da criança, isto é, seu cérebro e seu corpo, estão em desenvolvimento, e por isso, estão mais suscetíveis às influências do mundo externo. O organismo da criança está a todo o tempo fazendo conexões, numa tentativa incessante de apreender o mundo à sua volta. Daí a curiosidade, que é um ótimo sinal de bom desenvolvimento.

Não é a toa que uma boa fatia dos atendimentos psicológicos é voltada para as crianças. Queixas comuns dos pais são a falta de limites, imediatismo e agressividade “sem motivo”. A criança aprende a responder ao meio em que vive, por isso, nenhum comportamento é sem motivo. É comum a classificação dos comportamentos-queixa em dois padrões: externalizante e internalizante. Dentre os que fazem parte do padrão externalizante estão os comportamentos que incomodam muito as pessoas que convivem com a criança, tais como agressividade e comportamentos antissociais. Já os comportamentos do padrão internalizante são aqueles que causam sofrimento imediato para o próprio indivíduo, tais como o isolamento social, fobias, depressão, ansiedade generalizada, enurese e encoprese, compulsão alimentar. Em ambos os padrões muitas vezes os problemas são instalados pois o ambiente falha no ensino de Habilidades Sociais, que são os comportamentos que utilizamos para expressar nossos desejos, sentimentos, idéias, sem medo ou constrangimento, procurando na medida do possível manter uma relação harmoniosa com aqueles que nos cercam. Como seres humanos que somos, temos a necessidade natural de aceitação social, de receber reconhecimento por nossos feitos e manter relacionamentos interpessoais. Essas habilidades são ensinadas pelas pessoas com quem convivemos especialmente na infância, mas também na adolescência e em qualquer fase da vida, pois a todo tempo estamos convivendo com pessoas e podemos aprender com as atitudes dos outros. Como exemplo de Habilidades Sociais podemos citar as da classe Comunicação, que estão relacionadas a iniciar e manter conversação, elogiar, agradecer. Uma outra classe seria a de Defesa de Direitos, que envolve recusar pedidos, defender seus pontos de vista, expressar desagrado, por exemplo.

A psicoterapia será o ambiente onde a criança aprenderá a desenvolver seu repertório de Habilidades Sociais, bem como enfrentar outros desafios e trabalhar em busca de superar as queixas apresentadas. Mas os resultados só serão atingidos se os pais tiverem uma forte parceria com o terapeuta. Essa parceria é muito importante, pois os adultos mais próximos são responsáveis por ensinar uma grande parte dos comportamentos que a criança vai copiar e inserir em seu repertório, muitas vezes a queixa dos pais é um comportamento que os próprios produzem em casa. Quase sempre é necessário desenvolver as habilidades educativas dos pais, já que ensinar é um comportamento que requer aprendizagem. Outro ponto imprescindível nessa parceria é alinhar o ambiente em casa, e tanto pai quanto mãe seguirem as orientações sobre a nova postura que precisarão assumir, principalmente com relação às consequências dos comportamentos da criança. É necessário que pais e terapeuta falem a mesma língua, para que a criança se sinta segura durante o processo de mudança. Sem truques, sem mágica, se todos se empenham, a mudança acontecerá.

Fernanda F. Fonseca, Karen Morais, Fabíola Serpa, Christiane Laino e Cristiane Oliveira

Psicólogas da equipe INTERAC